Neste artigo, fazemos a interpretação astrológica do poema “Encoberto” de Mensagem de Fernando Pessoa (extraída do livro A Hora de Pessoa – Astrologia da Mensagem, de João Medeiros)

Que símbolo fecundo

Vem na aurora ansiosa?

Na Cruz Morta do Mundo

A Vida, que é a Rosa.

Que símbolo divino

Traz o dia já visto?                                        

Na Cruz, que é o Destino,

A Rosa que é o Cristo.

Que símbolo final

Mostra o sol já desperto?

Na Cruz morta e fatal

A Rosa do Encoberto.

ASTROLOGIA: O 5º ELEMENTO / CENTRO

Este poema termina a sequência de «Os Símbolos», como um princípio centralizador dos anteriores poemas, sendo o Quinto Elemento e o centro da cruz horoscópica, intersetando os eixos horizontal e vertical do mapa astrológico.

Para muitos, este centro é o ponto que representa a consciência e o iluminado interno, que ultrapassou os desafios do Tempo e do Espaço: o Cristo, em cada um de nós.

É ostensiva e direta a referência à Ordem Rosa-Cruz, fraternidade esotérica. Fica aliás implícito, como sugere Miguel Real, que foram as ordens secretas ao longo da história – herméticas, cabalísticas, maçónicas, rosacrucianas e derivadas da Ordem do Templo – que melhor representaram os verdadeiros conhecimentos e valores do Cristianismo, em contraste com as práticas da Igreja Católica, que a elas se opuseram.

Nas insígnias da fraternidade Rosa-Cruz, a «Rosa» vermelha com cinco pétalas representa Cristo com a sua coroa de espinhos, enquanto a «Cruz» representa todos os conflitos e dualidades internos.

A Rosa e a Cruz são símbolos da superação da eterna dualidade humana, constituída pelo feminino e o masculino, pelo espiritual e o material.

O Quinto Elemento ou quintessência aqui representada é, precisamente, a fusão e integração harmoniosa dos outros quatro Elementos, que só está ao alcance de seres muito evoluídos e conscientes como Cristo ou o Encoberto, que são comparados.

Isto significa ser corajoso (Fogo), sensível (Água) e ao mesmo tempo prático (Terra) e comunicativo (Ar), por exemplo. Diríamos mesmo que será o objetivo do Quinto Império mais pessoas estarem ao nível de fazer este processo alquímico, de harmonização e de superação pessoal.

A «Rosa» é também um símbolo do sagrado feminino e, particularmente, do planeta Vénus, que governará Portugal, como já referido. Pelo pentagrama que forma no céu, é o astro associado ao número cinco.

Não será descabido associar esta «Rosa» também ao milagre das Rosas, da Rainha Santa Isabel, lenda que traduz um dos maiores objetivos do Quinto Império ou Era do Espírito Santo: a distribuição da riqueza aos pobres e prosperidade geral, ultrapassando as limitações da matéria, pela ligação ao sagrado.

Porém, pensamos que, neste poema, a «Rosa» será, na sua intenção maior e essencial, uma referência muito inteligente para a Rosa dos Ventos.  É esta que traduz os pontos cardeais, exatamente como a cruz dos ângulos do horóscopo e respetivas casas.

O mapa astrológico é «A Cruz» do «Destino», a «Cruz Morta do Mundo» e «fatal». Portanto, esta Cruz representará não só a de Jesus, mas a cruz dos eixos de coordenadas céu-terra, as direções Este-Oeste e Norte-Sul, da Rosa dos Ventos. Por outras palavras, Ascendente, Descendente, Meio-do-Céu e Fundo-do-Céu.

Por sua vez, a «aurora ansiosa», o «dia já visto» e o «sol já desperto» novamente remetem para este círculo das Casas, a «Sperae», e, nomeadamente, para o Ascendente e Meio-do-Céu. Estas são as zonas de despertar e culminar do Sol, os pontos mais poderosos do horóscopo.

Enquanto no primeiro poema de «Os Símbolos» se indicava que o D. Sebastião mítico iria voltar, embora estivesse ainda morto, aqui assume-se que nasce e está disponível a assumir o papel de novo Cristo, o ser humano plenamente realizado.

O Ascendente está a reluzir bem como a Cruz da Rosa dos Ventos, que é toda a mandala astrológica, com os seus eixos principais.

É assim, numa visão tripla e espantosa da «Rosa» que é cristã, rosa cruciana e astrológica, que o poeta sintetiza a evolução de consciência pelos quatro Elementos, ao longo das várias reencarnações.


Leitura extraída do Livro “A Hora de Pessoa – Astrologia da Mensagem” de João Medeiros

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João Medeiros

Lisboa, 12 de Dezembro de 2021

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